sábado, 22 de novembro de 2008

LIBERDADE CRISTÃ


Definição da palavra liberdade:

Liberdade significa capacidade e a oportunidade de ter uma genuína escolha livre. Entretanto esta escolha não deve ser somente entre poderes ou forças externas, mas deve envolver o íntimo da própria pessoa. No sentido espiritual da palavra, liberdade é o fato de Cristo liberta o redimido pelo seu sangue, para que ele não seja mais escravo do pecado, e sim, servo do Deus vivo. O redimido tem agora liberdade em Cristo Jesus, não depende da Lei e sim, da graça de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

A liberdade em Cristo, por meio do Evangelho, garantiu a liberdade da pena do pecado, da condenação e do cativeiro de Satanás:
Sabemos que a nossa dívida como ofensores é eterna, é impagável por qualquer ser humano. Não podemos garantir vida eterna, um homem pelo homem, pecador por pecador. Por isso, só um Deus santo e imaculado é que pode pagar a dívida de outro pecador. Tem que ser alguém sem débito, sem mancha para cumprir a Lei de maneira perfeita para que os eleitos recebam a liberdade da pena. Então, o que Deus faz? Ele faz a chamada expiação vicária: o fiador assume as responsabilidades legais daqueles que são pecadores, daqueles que são transgressores da Lei. Esta expiação é apresentada pela parte ofendida. Aqui Deus é quem apresenta o sacrifício, ou seja, dá-se em resgate de pecadores. Deus é misericordioso, ele aplica a sua justiça vicariamente. Então, com aqueles que ele é misericordioso, ele puni vicariamente, ou seja, por substituição. Deus manda Jesus em nosso lugar para pagar a pena que era contra nós. (Cédula de dívida conforme Paulo observa em Col. 2:14) O que acontece na expiação vicária? Deus realiza vicariamente o perdão do seu povo escolhido, só que perdão exige um pagamento, pois, perdão não é sinônimo de anistia que é esquecer-se da dívida. Não, não, Deus é justo e ele tem que punir o pecado mesmo perdoando o pecador. Então, o que ele faz? Ele manda o seu próprio Filho à cruz para satisfazer a sua justiça em punir o pecado do seu povo. Ou seja, na cruz do calvário, Jesus é punido em nosso lugar. Paulo mostra claramente isto lá em II Cor. 5:14-21: "Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Por isso daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos desse modo. Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação; pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores por Cristo, como se Deus por nós vos exortasse. Rogamo-vos, pois, por Cristo que vos reconcilieis com Deus. Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus". Daí, por meio desta pena pega e não da culpa como está observado no Cap. XX, pg. 105 da Confissão de Fé, temos a garantia da liberdade em Cristo Jesus. E não somos mais condenados, pois, a cédula que era contra nós, Jesus a cancelou na cruz do calvário. E por causa desta liberdade não somos mais escravos do diabo, e sim, filhos, herdeiros, co-herdeiros com Cristo Jesus. Louvado seja o nome do Senhor por tão grande liberdade concedida a nós povo de Deus!!!

A liberdade em Cristo dá-nos uma consciência santa e pura para cumprirmos a Palavra de Deus na vida cristã diária:
Pedro diz no cap. 1:15 e 16: "Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento; porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo". Pedro nestes versos apresenta o modelo da santidade. O modelo para termos uma consciência pura e santa. Deus é o verdadeiro modelo da santidade para a vida de uma pessoa. Aqui há um contraste quando Pedro usa a conjunção "mas, ao contrário, não isso mas aquilo. Pedro está dizendo que não é para os crentes terem uma vida porca, suja, ao contrário, é para terem uma vida santa, pura, reta diante de Deus que é o grande modelo para a santidade. E esta diferença só acontece quando o Espírito Santo realiza ou concretiza a nossa chamada, ou seja, a regeneração. Pois, sem a regeneração no coração seria impossível sermos santos, ou tornados santos em Cristo Jesus. Claro que não somos iguais a Deus em santidade, pois, ela em Deus é incomparável. Deus não pode ser o que é sem ser santo. A nossa santidade tem a ver com a maneira que vivemos, a nossa vida moral, no procedimento, na conduta, no caráter geral da vida diária. Pedro diz: "Sede santos porque eu sou santo". Esta citação é do AT. Lev . 19:2, em que Deus exigia do seu povo santidade total.

Aplicação:


Irmãos, o mínimo que Deus espera de nós é a santidade. A santidade é uma característica singular para seguirmos a carreira cristã. A santidade é um processo do nosso dia a dia. A medida que desenvolvemo-nos diante das coisas de Deus, tornamo-nos pessoas mais próximas do Pai e mais longe das coisas terrenas. O ser santo aqui não quer dizer que seremos pessoas sem nenhum pecado como foi o nosso mestre. Ser santo aqui é estar completamente dotado, totalmente desenvolvido para as coisas espirituais, é estar inteiramente relacionado com o Senhor Deus, é amá-lo profundamente com toda a nossa vida. Interessante avaliarmos a questão de santidade na vida do sumo-sacerdote de Israel. Ele tinha que dar grande ênfase à santidade diante de Deus. Havia uma coroa de ouro que se chamava "A Coroa da Santidade”, numa lâmina de ouro na coroa tinha gravado a seguinte frase: SANTIDADE AO SENHOR.

Própria mente, de que Deus exigia santidade total do sumo sacerdote. Pedro disse: "Vós sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo...". (I Pe. 2:5) Em I Pe 2:9 ele diz: "Vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz". Em I Pe 3:5 ele diz: "Antes santificai a Cristo em vossos corações...". Há uma frase do Dr. J. I. Packer no seu Livro: "Na Dinâmica do Espírito" que deve nos levar a uma grande reflexão: "A maior necessidade do mundo é a santidade pessoal do povo que se diz cristão".

Irmãos, que reflitamos sobre isto e peçamos ao Senhor para que derrame a graça de vivermos na presença dele louvando-o pela liberdade nele e pela capacidade que ele da-nos de viver numa maneira santa e irrepreensível, amém!!!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

UM ABRAÇO




Todo mundo precisa de um abraço. Não de abraços corriqueiros, mas verdadeiros, gratuitos, apertados e cheios de amor. Todos os dias, repetidamente, variadamente, de amigos, filhos, cônjuges, irmãos.

Todos gostamos de abraços. Abraços nos aquecem, nos valorizam, nos fazem sorrir. E, se pensarmos bem, não é dos abraços que precisamos, mas do que eles representam e nos fazem sentir.

Abraços são expressões de amor, atenção, interesse, valor, respeito, perdão, amizade. E nos fazem sentir alegria, gratidão, afeição, carinho, respeito e nos fazem esquecer por um tempo as dores que nos cercam.

Sem dizer que os abraços nos conectam com outras pessoas. Os abraços nos fazem irmãos, amigos, e confirmam o amor que temos por nossos filhos, pais, etc.

Um abraço apertado e cheio de carinho nos dá aquela sensação maravilhosa de pertencer a alguém, seja qual for o tipo de relação mantida com quem abraçamos.

Abraçar não custa nada, pelo contrário, só traz benefícios. Abraçar traz saúde emocional e coloca uma boa dose de ânimo e alegria em nosso dia.

Abraçar não tem contra indicações, por isso, podemos abraçar quantas pessoas e quantas vezes quisermos sem preocupações. Não precisamos economizar abraços.

Quem oferece abraços também ganha, pois ao mesmo tempo abraça e é abraçado. Doa e recebe. Oferece amor e recebe gratidão, dá de presente o perdão e recebe a reconciliação. Doa carinho e recebe afeto. Todos ganham com os abraços.

Também podemos abraçar em nome de Deus. Deus ama cada pessoa, para Ele todos somos muito preciosos. E Ele deseja abraçar a todos com amor, mas a maneira pela qual nos abraça é usando braços humanos. Ou seja, Deus te abraça com meus braços e me abraça quando você envolve seus braços ao redor de mim.

Podemos expressar o amor de Deus abraçando pessoas. Tanto as conhecidas como as ainda não. Ainda não, porque talvez depois do abraço sejam amigas. Os abraços têm este poder de fazer amigos, aproximar estranhos e reconciliar irmãos.

Portanto, hoje queremos abraçar você para expressar o amor de Deus. Convidamos você a fazer o mesmo por outros, gratuitamente e sem economia. Temos certeza de que você vai gostar da experiência e vai querer repeti-la. E, assim, o mundo será um pouco melhor, pelo menos perto de você.

Que Deus o abençoe e faça de você um distribuidor de abraços!

A IRA DE DEUS


A Ira de Deus e
A Pregação do Evangelho

“Aquele dia será um dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas. Dia de trombeta e de alarido contra as cidades fortificadas e as torres altas".

( Sofonias 1:15,16).

Essa passagem bíblica é escatológica e refere-se ao Dia do Senhor. Como a maioria das profecias bíblicas, ela poderia ser interpretada com um cumprimento para Israel, que seria referente ao julgamento da nação, mas especificamente Judá e Jerusalém (ver todo o contexto do cap.1 de Sofonias).

Eu, porém, não pude deixar de perceber uma semelhança entre o dia descrito e o 11 de Setembro, quando houve o atentado ao World Trade Center em Nova York. Lembro da desolação dos americanos e da comoção mundial decorrentes das inacreditáveis imagens e pior da realidade da cena.

Havia nuvens de fumaça, resíduos de escombros. As densas trevas provocavam sensação de sufoco em quem estava próximo ao local. Não se conseguia ver o céu, nem ter uma visão clara do ambiente. Todo esse cenário foi descrito por sobreviventes. As imagens televisivas também nos reportavam ao desespero.

A Bíblia diz:" Se hoje ouvirdes a sua voz, não endureçais o coração" Sl 9:7,8. Que não seja necessário a chegada de uma assolação para nos fazer refletir que sem Cristo não há salvação.

E disse Jesus: Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Mateus 18.3

É comum a idéia de que os norte-americanos passam seu tempo de lazer rezando em grandes igrejas evangélicas, mas os EUA é um país de diversidades, e muitas pessoas exercem sua espiritualidade em outros lugares. Alguns norte-americanos vão, por exemplo, para centros de yoga, spas e sessões de psicoterapia. Se alguém perguntasse a eles sobre fé, muitos responderiam que são "espiritualistas, mas não religiosos".

Vamos começar dizendo que a pregação sobre a ira de Deus praticamente desapareceu em nossos dias.

Eu fico pensando no que acontecia em meados do século XVIII e no ano de 1732 quando o puritano Jonathan Edwards pregou um sermão muito conhecido sobre a ira de Deus, que ficou intitulado "Pecadores nas Mãos de Um Deus Irado", e é muito comum hoje em dia ouvir e encontrar em nossas leituras, críticas pesadas contra aquele sermão. Os críticos normalmente o acusam de ter feito uma descrição muito detalhada das misérias que ele descreve. E é verdade que ele faz uma descrição do inferno que às vezes vai além daquela que é descrita nas Escrituras, mas é minha profunda e sólida convicção que na medida que nós nos lembramos que isto é uma pregação ilustrada e que Jonathan Edwards não estava querendo dizer que cada parte daqueles detalhes ilustrativos que ele dizia eram pra ser entendidos literalmente, nós chegamos à conclusão que aquele sermão era profundamente fiel ao ensino da Escritura sobre este assunto.

Uma das razões pelas quais as pessoas têm objeções à doutrina da ira de Deus é simplesmente uma questão de como a pessoa tem se sentido. Alguns dizem que falar sobre a ira de Deus é falta de educação, porque é uma coisa necessariamente negativa e que, portanto, é algo contrário às pessoas que estão sendo evangelizadas; por isso não serve para ser usada no evangelismo. Uma das coisas que o movimento de crescimento de igreja diz, por exemplo, é que não devemos colocar qualquer obstáculo às pessoas que querem vir e ouvir o Evangelho. Devemos fazer as coisas mais fáceis e confortáveis para eles, se for possível. E a doutrina da ira de Deus é considerada um obstáculo à vinda dos incrédulos à Igreja.

Existe ainda uma outra perspectiva que levanta objeções à doutrina da ira de Deus, que é de uma natureza muito mais teológica, pois a primeira mencionada acima é uma objeção pragmática. Esta segunda é teológica. Sua argumentação é que esta doutrina, a ira de Deus, é indigna de Deus porque representa uma idéia imatura de Deus, e que é contraditória à doutrina de que Deus é amor. Se esta objeção fosse verdadeira nós teríamos de re-escrever muitas partes de Bíblia.

Pretendo então falar algumas coisas com relação à Ira de Deus.

Em primeiro lugar o Deus da Bíblia é diferente das divindades pagãs, pois aqueles eram imprevisíveis e mudavam de opinião por qualquer coisa. Os deuses assírios, por exemplo, eram conhecidos como deuses que podiam perder a paciência e de repente explodir em raiva, conforme nos informa a Bíblia em Hb.12, quando o autor do livro de Hebreus está se referindo aos pais humanos e às disciplinas que estes pais aplicam aos seus filhos, acrescentando que esta disciplina é feita de acordo com o próprio desejo do pai. Ou seja, é possível que os pais humanos, em uma explosão de raiva, castiguem seus filhos, sem que os castiguem por causa do princípio da justiça e sem o objetivo de criar a criança na disciplina e na admoestação do Senhor, mas simplesmente como uma reação de egoísmo e de ira. Mas a ira do Deus da Bíblia é diferente. A ira de Deus é sempre uma reação ao pecado, é um reflexo da santidade de Deus àquelas coisas que são feitas de forma contrária à Sua vontade. É importante que compreendamos que quando nós falamos a respeito da ira de Deus, nós não estamos falando a respeito de uma pessoa que tem o "pavio curto", de uma pessoa que explode em emoções irracionais, mas nos referimos à reação do Deus Todo-Poderoso que é controlada pelos limites da sua justiça, sem nunca transgredi-los e que sempre é correta.

Em segundo lugar, a ira de Deus não é absoluta; em outras palavras, nós precisamos, ao lado da ira de Deus, integrar na personalidade dEle os outros atributos que a Bíblia menciona. Eu não estou dizendo que a ira de Deus prevalece sobre os demais atributos dEle, mas hoje pela manhã estamos focalizando nossas atenções neste atributo, o que pode dar a impressão que esta conferência fala somente sobre a ira de Deus, o que seria uma compreensão errada. O que nós desejamos nestas conferências é trazer em equilíbrio este assunto, não um equilíbrio humano, mas o das Escrituras. Por isso nós falamos primeiro da soberania de Deus, da Sua santidade, da Sua glória e poderíamos ter falado sobre a Sua justiça ou sabedoria. Em outra palestra, iremos falar sobre o Seu amor, mas neste momento examinaremos a revelação sobre a Sua ira justa.

Vamos mencionar agora alguns textos bíblicos que falam sobre este tema. O primeiro é o Sl. 103:8 onde lemos que Deus é tardio em irar-Se. Esta é uma maneira muito importante de nós nos aproximarmos deste assunto da ira de Deus, fazendo um contraste entre as divindades pagãs, que eram imprevisíveis quanto às suas emoções e que podiam irromper em ira a qualquer momento, e o nosso Deus que é tardio em irar-Se. Qualquer medida de Sua ira que experimentemos em nossas vidas, devemos sempre lembrar que é uma ira mitigada ou aliviada. Mais a frente trataremos de maneira mais detalhada sobre este aspecto. Agora olhemos para mais um texto das Escrituras que é muito conhecida de todos, em Ez.18 que diz que Deus não tem prazer na morte do perverso. O que estes versos nos dizem é que a ira de Deus não é uma emoção que Lhe acomete e que foge ao seu controle, mas que ela é controlada e revelada por Ele devagar. Vamos falar mais um pouco a respeito disto e lembrar que no VT há pelo menos 20 palavras hebraicas diferentes para se referir à ira. De acordo com estudiosos bíblicos, a idéia da ira de Deus aparece no VT mais de 580 vezes. Isto é um pedaço bem grande da revelação e nos mostra imediatamente que ela não é algo secundário que podemos simplesmente deixar de lado. O VT nos dá uma revelação profunda da ira de Deus, mas podemos imaginar as pessoas fazendo a seguinte objeção, que vem de uma heresia que surgiu no tempo da igreja antiga mas que ainda sobrevive de muitas maneiras hoje: a heresia do marcionismo que tem uma idéia muito simples e que por isso atrai muitas pessoas. A idéia é a seguinte: se o VT têm tantas referências à ira de Deus e você tem o conceito de que a doutrina da ira de Deus é indigna de Deus, você encontra uma solução simples, que é rasgar o VT de sua Bíblia. Você pega uma tesoura e recorta da sua Bíblia estas passagens e o que sobra é o NT. Não vá dizer que o Derek Thomas é um marcionita e que lhe recomendou que fizesse isto. Mas vamos considerar esta idéia, por alguns momentos. Então vamos analisar a lógica deste pensamento. Supondo que você cortou o VT e sobrou apenas o NT em suas mãos. Agora eu lhe pergunto: e o NT fala sobre a ira de Deus? Será que o livro de Apocalipse fala sobre a ira de Deus? É claro que sim! Nós vemos lá aquela visão da ira do Cordeiro. Em Ap.6:16 o apóstolo João não fala simplesmente da ira de Deus, ele ajunta o que parece ser um paradoxo: você tem a visão de um Cordeiro gentio que é uma das metáforas mais bonitas sobre Jesus - Ele é o Cordeiro de Deus - mas ao mesmo tempo ele a conjuga com a idéia da ira de Deus. Uma vez um estudioso do NT, que foi muito popular em gerações anteriores, cujo nome era C. H. Dodge , tinha uma série de críticas ao livro de Apocalipse dizendo que era um livro indigno do NT pela simples razão de que este livro fala da ira de Jesus Cristo. Vamos então arrancar também o livro de Apocalipse de nossa Bíblia.

Vamos para as cartas de Paulo. Será que Paulo fala da ira de Deus? Poderíamos gastar muito tempo indo de verso em verso, mas vamos tomar como exemplo Rm 1:18; depois de dizer no verso 16 "não me envergonho do evangelho" ele acrescenta no verso 18 "a ira de Deus se revela do céu". Mas o que nós ouvimos na igreja hoje é que se você deseja atrair os pecadores a Cristo, e se você deseja que a igreja cresça e se expanda neste mundo, então você não deve falar sobre a ira de Deus, você deve esconder esta doutrina. Mas o apóstolo Paulo não fez isto; ele falou do Evangelho e imediatamente depois ele falou sobre a ira de Deus e a resposta para isto é simples: é que o Evangelho nos livra da ira de Deus. A menos que você tenha uma compreensão correta da ira de Deus e daquilo que o seus pecados e os meus merecem, a mensagem do Evangelho será truncada necessariamente. Poderíamos olhar a outras cartas de Paulo e nós iríamos achar a mesma coisa. Então pegue a sua tesoura e recorte as cartas paulinas.

Agora o que sobrou de nossa Bíblia? Não foi muita coisa. Vamos então aos Evangelhos. Vejamos os retratos da vida de Jesus que estão nos Evangelhos. Diz um hino inglês "Jesus gentil, doce e suave" e nele nós vemos Jesus esvaziado de um dos seus atributos, que é a ira. Porém o que nós encontramos, por outro lado, nos Evangelhos? Há pelo menos 2 incidentes ocorridos no início e no fim do Seu ministério, ambos aludindo a incidentes bem similares. Estou me referindo à purificação do templo feita por Jesus. Lembremos o que havia ocorrido. As influências do mundo haviam entrado no templo; refiro-me as pressões exercidas pelas idéias daquela época de comercializar e de entreter as pessoas. Havia pessoas que estavam vendendo cordeiros selecionados para sacrifícios. Você podia se dirigir a uma mesa para comprar um carneiro ou um pombo para o sacrifício por um determinado preço, ou iria a outra mesa e encontrava a mesma coisa por um preço um pouco menor, e se você fosse para uma terceira mesa, eles até lhe ofereceriam crédito. Ou seja, havia negócio lá dentro, havia comércio ali dentro do próprio recinto do templo. Neste momento Jesus relembra o que diz o profeta Jeremias e o peso que o profeta sentia ao dizer aquelas palavras "eles transformaram a minha casa de oração num covil de ladrões". E a reação de Jesus foi de pegar um chicote e expulsar aquele pessoal de dentro do templo na base da chicotada e virar as mesas com chutes. Mas não compreenda mal esta passagem. Existe a tentação de nós exagerarmos sobre o evento, mas a passagem é muito clara e é fácil de ver o que os escritores do Evangelho queriam nos mostrar, ou seja, que aquela foi uma demonstração muito clara da ira de Jesus.

O outro exemplo está em Mc. 3:1 que diz que era um sábado e Jesus estava na sinagoga e ali estava um homem participando do culto que tinha uma mão ressequida. Jesus cura aquele homem demonstrando o poder de Deus e a Sua divindade inata, restaurando a saúde daquele homem completamente. Evidentemente, nos Evangelhos estes milagres funcionam como sinais daquilo que Jesus veio fazer, ou seja, restaurar a humanidade caída, trazendo-os para aquela saúde e perfeição para a qual a humanidade havia sido criada, restaurando as suas vidas espirituais através da propiciação pelos seus pecados, mas também lhes dando um vislumbre do mundo vindouro, um vislumbre da regeneração de todas as coisas, quando Deus criar os novos céus e a nova terra e quando com corpos ressurretos reunidos com os nossos espíritos que já estarão na presença de Jesus após a nossa morte, o povo de Deus então viverá na plenitude do ser humano. São estas coisas para as quais estes milagres apontam. Mas havia pessoas que não gostaram daquilo que Jesus fez e levantaram a objeção de que Jesus havia curado um homem no dia de sábado e no v.4 Jesus faz uma pergunta: "é lícito no sábado fazer o bem ou fazer o mal, salvar a vida ou tirá-la? Mas eles ficaram em silêncio, e Jesus olhando-os ao redor indignado e condoído ... " A palavra traduzida por indignado, no grego significa irado; é importante para nós ver que a revelação bíblica da ira de Deus está demonstrada na pessoa de Jesus e nos dá a noção muito clara de que está errada a idéia que diz que Deus é somente amor.

É verdade que Deus é amor e nada demonstra isto mais claramente do que a própria presença de Jesus em nosso meio. A cura que Jesus fez neste homem demonstra este amor, mas a dureza que estava no coração daquelas pessoas ao redor provocou a ira de Jesus e isto nos permite dizer imediatamente, que existe uma coisa que podemos chamar de ira justa; uma ira que se expressa dentro dos limites da justiça. Pra mim e pra vocês é muito difícil irar-se desta forma, conforme o que diz Paulo em Efésios "irai-vos, mas não pequeis". É muito comum nós querermos justificar a nossa ira. Vamos lembrar o contexto em que Paulo escreveu estas palavras. Ele está falando de nossos relacionamentos com os nossos filhos e também com aqueles com quem nós trabalhamos, e algumas vezes esta irritação que acontece nestes relacionamentos é geralmente desculpada como sendo uma ira justa. O que eu estou querendo dizer é que podemos ficar irados justamente, ou seja, irados pela razão certa, porque o Senhor Jesus também ficou, mas tratando-se de nós mesmos é muito difícil. Por exemplo, quando estamos disciplinando os nossos filhos ou aqueles que trabalham ao nosso redor ou sob a nossa orientação, nós estamos sempre caminhando na beira do precipício, porque nós estamos querendo controlar emoções que por si só são quase incontroláveis por causa do efeito do pecado em nossos corações. Vamos voltar a onde estávamos, eu apenas queria fazer esta pequena aplicação.

O que restou de nossa Bíblia? O VT foi embora, os escritos de João, de Paulo e os Evangelhos se foram e agora tudo que restou foi o livro de Atos e as cartas de Pedro e algumas poucas. Vocês estão vendo que coisa ridícula nós estamos fazendo? Nós estamos impondo o nosso julgamento sobre as Escrituras naquilo que nós julgamos que é certo e o que é errado. Esta é uma tendência que se manifesta em todas as épocas. A revelação da Bíblia é clara, um dos atributos de Deus é IRA.

Agora deixe-me dizer uma quarta coisa: a ira de Deus é pessoal. O que eu quero dizer é o seguinte: algumas pessoas podem dizer que de fato a Bíblia fala da ira de Deus, pois não querem fazer o que Marcião fez e acreditam que são cristãos bíblicos e acreditam que são sinceros no desejo de permanecer com tudo aquilo que a Bíblia diz. Mas, quando chegam na questão da ira de Deus, a interpretam da seguinte maneira: a ira de Deus é simplesmente uma lei fria e impessoal de causa e efeito. A pessoa de Deus não se envolve diretamente nisto. É simplesmente uma questão da lei, simplesmente uma questão que tem a ver com o princípio morto da justiça. Mas isto não é suficiente. Retornemos a Rm.1:18. Não é apenas que a ira se revela, mas a ira de Deus que está sendo revelada. Vamos nos lembrar do contexto em que Paulo escreveu estas palavras. No cap. 1º de Romanos Paulo está expondo um ponto muito importante. Ele está falando do homem natural, que não crê e não é crente e ele está dizendo que cada pessoa está cercada pela revelação divina através das obras de Deus na criação e na providência. Sempre existem testemunhas de Deus, até nas partes mais remotas do mundo, existem testemunhas de Deus. As pegadas de Deus estão em todo lugar. A semente da religião está dentro de cada homem e o homem natural é bombardeado por toda esta revelação natural. Revelação que fala do poder de Deus e de Sua divindade ao ponto em que a existência de Deus é algo com o que o homem natural é diariamente bombardeado. Eu acho muito interessante que Paulo nunca tenta provar a existência de Deus. Na história da fé reformada e do cristianismo em geral muitos argumentos tem sido apresentados para provar a existência de Deus. Mas aqui, Paulo não argumenta a favor da existência de Deus em momento nenhum. Ele simplesmente assume que Deus existe, de tal maneira que no fim do verso 20 Paulo diz que o homem natural é indesculpável. Eu gostaria que vocês percebessem a importância disto. Por um certo lado isto é algo que me surpreende. Ou seja, não há uma única pessoa no mundo todo que não saiba que Deus existe. Algumas vezes e de forma muito sincera nós nos perguntamos: o que será daqueles que nunca ouviram? E eu vou lhe responder sob um aspecto apenas, e é que não há um único indivíduo no mundo que não saiba que Deus existe, pois Paulo diz que eles são indesculpáveis.

O que Paulo diz a respeito desta semente de religião no coração de todos os homens? Ele diz que o homem natural suprime esta revelação, esta semente da verdade e a rejeita trocando-a pela mentira. Em outras palavras, o homem sabe mais a respeito de Deus do que está disposto a admitir. Isto sempre é verdade não importa o quão pecaminosa aquela pessoa seja e em que parte do mundo ela viva, ela sabe mais a respeito de Deus do que deseja admitir. Eles retêm, suprimem esta verdade. É como se você pegasse um garrafa de Coca-Cola e a sacudisse fazendo com que pressão interna dela começasse a crescer e aí você sabe o que acontece quando abre a garrafa, seu líquido sobe com força e espalha-se por todo lugar. O que Paulo está dizendo é que o homem natural está contendo a pressão que existe no seu coração, em relação ao conhecimento de Deus. Não é que ele não conheça a Deus, mas é que ele não quer conhecer a Deus.

Agora Paulo diz uma coisa muito importante. Por causa desta supressão que o homem faz, a ira de Deus se revela do céu contra estes homens. Eu gostaria de chamar a sua atenção para o tempo verbal, ele não está dizendo que a ira vai se revelar. Ele não está se referindo aquela ira que vai se revelar no dia do juízo, isto ele vai fazer no cap. 2:5 quando ele fala sobre o dia da ira de Deus. Mas aqui ele está falando de outra coisa. Está falando de uma ira que já existe, que já está sendo revelada e como ela está se revelando e a resposta está no vs. 24, 26 e 28 onde nós temos a seguinte expressão: "Por isso, Deus os entregou..." Deus os abandona aos seus próprios corações pecaminosos; Deus os entrega ao comportamento imoral deles. E no resto do cap. 1 Paulo nos dá uma descrição detalhada daquilo que ele quer dizer e enfatizando, porque ele está escrevendo no contexto do império romano, as manifestações particulares desse tipo de pecado dentro daquela civilização. Na medida que você dá uma olhada nesta passagem eu queria que você notasse a proeminência que Paulo dá a três pecados: a impureza sexual, o homossexualismo e desobediência aos pais; e é possível que alguns de nós se surpreenda que junto com estas declarações explicitas da impureza sexual, Paulo junte a desobediência aos pais. Isto vem nos lembrar da importância do relacionamento familiar e das estruturas que Deus planejou e criou para a família e a importância deste assunto. Existem marcas distintas e características de uma sociedade decaída. Uma civilização que Deus abandonou, uma sociedade sobre a qual a ira de Deus tem sido derramada e mesmo que nós não possamos falar com a infalibilidade de Paulo, nós podemos dizer semelhantemente à medida em que nós vemos os mesmos pecados manifestados hoje, podemos falar sobre o dia quando Deus virá julgar, e isto é verdade, mas que Deus já julgou a sociedade atual e a sua ira já se revelou, pois a impureza sexual que predomina em nossa sociedade é em si mesma esta evidencia da ira de Deus.

Nós precisamos examinar mais um pouco este assunto perguntando contra quem a ira de Deus se revela. E existe alguns aspectos aos quais eu gostaria de aludir. Em primeiro lugar a ira de Deus se revela contra aqueles que estão no inferno. Aqueles que estão naquele lugar sobre o qual Jesus falou: "apartai-vos de mim" . Aqueles que estão fora, nas trevas, onde o fogo queima e o verme não. E mais uma vez, é importante que nos lembremos que a Bíblia não fala da aniquilação do ímpio. Hoje em dia somos bombardeados pelos que acreditam no aniquilacionismo e até mesmo por pessoas que amamos e que fizeram grande bem para a Igreja e cuja integridade e sinceridade eu não questiono, mas que quando chegam nesta questão, do destino eterno dos ímpios, estão prestando um desserviço à Igreja. Vamos ver o que nos dizem os padrões de Westminster. Por que eles confirmam, suportam e apoiam a doutrina da punição eterna dos ímpios, pois falam de uma existência consciente em corpo e alma dos ímpios depois da morte debaixo da ira de Deus para todo sempre. Os que estão no inferno jamais escaparão de lá. Não há redenção para os que lá se encontram. Não há escapatória da ira de Deus e a situação está definida e selada por toda a eternidade. Isto é muitas vezes difícil de entender e muito mais difícil de se descrever. Para aqueles de nós que temos parentes e familiares descrentes é uma coisa dolorosa de se falar, entretanto devemos permanecer fiéis à descrição que a Bíblia nos dá sobre o destino eterno dos ímpios e dar a este conceito, a mesma ênfase que a Bíblia dá. A ira de Deus se revela sobre aqueles que estão no inferno, mas também contra as civilizações, conforme já me referi parcialmente a isto em Rm. 1. Eu não vou me estender sobre isto, mas quero frisar este ponto.

Mas, em outro sentido, a ira de Deus se revela também contra os Seus próprios filhos. A maior parte das referências sobre a ira de Deus no AT, falavam sobre a ira de Deus se manifestando contra os filhos de Israel e contra a comunidade do pacto. Você tem aquele brado em Amós 3 : "De todas as famílias da terra somente a vós outros vos conheci". Esta passagem mostra que os filhos de Israel tinham um relacionamento especial com o Senhor. E por causa deste relacionamento especial o Senhor lhes diz que os punirá em virtude das suas iniqüidades. Mensagem semelhante nós encontramos em Ap.3 : "Aos que amo, Eu castigo e reprovo". Mesma coisa em Hb. 12 : "Deus castiga a quem ama". E você se lembra o que o autor diz aos hebreus quando faz a distinção entre os filhos legítimos e ilegítimos. Aos ilegítimos é-lhes permitido fazerem o que quiserem e o pai nunca os castiga, mas os que são legítimos, a estes o pai castiga, pois tem o desejo de algo melhor para eles. Tem um peso no seu coração a respeito dos seus próprios filhos. Na hora em que vê os seus filhos se desviando, ele os castiga, e isto porque os ama e são seus por causa desta relação pactual que ele tem com seus filhos. De maneira similar, o Senhor também às vezes nos disciplina. Muitas vezes não conseguimos compreender o porquê. E estivemos estudando na noite passada, o que aconteceu com Jó. Mas, algumas vezes, como disse o puritano J. Flavel : "o que Deus está fazendo agora na minha vida, pode ser difícil de entender, mas daqui há algum tempo podemos olhar pra trás através das páginas da história e podemos detectar a assinatura de Deus ao longo destas páginas tecendo a textura intricada que compõe a nossa vida e trazendo-nos para um andar mais íntimo com Ele". E outra vez , este mesmo puritano disse que a providência de Deus é parecida com a leitura da língua hebraica, que você lê da direita para a esquerda.

A ira de Deus também se revela de outra maneira. Em Efésios 2 nos é dito que nós éramos por natureza filhos da ira. Nesta passagem encontramos um problema. Por um lado nós cremos na onisciência de Deus, que Ele sabe todas as coisas - com isto eu quero dizer que desde antes da fundação do mundo Ele já havia decidido amar aos Seus eleitos - e o problema é, como é que aqueles a quem Deus pré-conheceu, elegeu e predestinou, podem ser chamados de "filhos da ira". A resposta é que a Bíblia ensina a necessidade da regeneração e quando nascemos neste mundo nós nascemos como filhos da ira, pois não temos nada a apresentar a Deus para a nossa salvação, todas as nossas obras são como "trapos de imundícia" e a nossa salvação é pela graça soberana de Deus e a operação salvífica do Espírito Santo de Deus, despertando os nossos corações e nos chamando de forma eficaz.

Há um outro aspecto sobre a ira de Deus em resposta à pergunta: de que maneira nós podemos nos livrar da ira vindoura de Deus? Nós já respondemos parcialmente a esta questão. Nós nos livramos da ira vindoura através da obra regeneradora do Espírito Santo. Mas onde é que esta obra de regeneração se baseia? Aonde o Espírito Santo nos leva? A quem o Espírito Santo nos leva? O que Ele faz é nos carregar com nossas mãos vazias, sem nada a apresentar em nosso favor, à cruz de Cristo. Porque ali, na cruz de Cristo, a ira de Deus contra os pecados de Seu povo foi propiciada. Esta é uma palavra muito importante. Na nova versão internacional da Bíblia na língua inglesa, por exemplo, que foi traduzida para o português , em Rm. 3:25 que fala sobre "propiciação", eles a traduziram da seguinte maneira: "Deus o propôs (a Cristo) como um sacrifício expiatório", isto é verdade, mas esta é uma tradução inadequada do original, pois Paulo quer nos dizer que na cruz de Cristo a ira de Deus contra os nossos pecados foi carregada por Cristo. Não é que Deus tenha suspendido a sua ira contra nós. Os nossos pecados precisam ser propiciados e esta propiciação precisa ser feita dentro dos limites próprios da justiça, portanto o pecado tem de ser punido, e quando nós ouvimos aquele brado na cruz do calvário "Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?" a santa ira de Deus foi derramada sobre o Seu filho Jesus com tal intensidade que parecia na consciência de Jesus que Deus o havia abandonado e rompido aquela relação filial com Ele. Por isso Ele não disse "Meu Pai, Meu Pai" como muitas vezes Ele orara antes, mas "Deus meu, Deus meu". Então, na medida em que aquele Servo sofredor de Deus sofria ali, Ele estava levando sobre Si a justa punição pelos nossos pecados. É importante para nos compreendermos este ponto também, que toda manifestação da ira de Deus neste mundo, nos termos de Rm. 1:18, é uma manifestação que já foi aliviada e diminuída. Mas, no caso de Cristo no calvário, quando a ira de Deus foi manifestada sobre Ele, não houve qualquer mitigação ou diminuição. Jesus experimentou a plenitude da ira de Deus. É por isso que no credo apostólico, não importa quão difícil seja para alguns cristãos compreender, há uma expressão que os nossos pais na fé disseram que Cristo quando morreu desceu ao inferno. E eu pessoalmente acredito que a interpretação que Calvino faz desta expressão é a correta, que Cristo não desceu literalmente ao inferno quando morreu, mas que a Sua experiência de ser abandonado ao receber a imputação dos pecados foi tão profunda que, num sentido verdadeiro, Cristo experimentou o que é o inferno, posto que a essência do inferno é o abandono do amor de Deus. Inferno é ser esvaziado das misericórdias de Deus e de qualquer expressão de sua bondade também. Assim, naquele abandono que Jesus experimentou, nós que confiamos nEle podemos ter uma segurança que os nossos próprios pecados jamais serão punidos outra vez e que naquele dia do juízo, quando nós encararmos o Senhor Jesus e quando ira de Deus se revelar podemos ter a mais completa confiança que Ele pagou o preço completo; que Ele propiciou cada pecado e que nem mesmo um pecado oculto se revelará naquele dia para roubar a glória daquele momento. Esta é a lógica da obra propiciatória de Jesus Cristo, que Cristo morreu pelo seu povo, para trazê-los a Si, para propiciar a ira de Deus e para assegurar eternamente aos seus eleitos a vida vindoura. Isto deve provocar em nossos corações um hino de louvor e adoração pela grandeza do amor de Deus. O amor do Pai que deu Seu Filho, o amor do Filho que Se entregou e o amor do Espírito Santo que sustentou o Filho, e que pela Sua obra soberana nos traz a um relacionamento verdadeiro com o Cristo vivo. Vamos unir as nossa vozes com as dos anjos lá do céu.

Oremos. Nosso Pai celestial, mais uma vez nos curvamos ante a Tua presença e nos aproximamos de Ti através do único nome que nos foi dado abaixo dos céus pelo qual podemos ser salvos: o nome glorioso do nosso Salvador Jesus Cristo. Te damos graças, ó, Espírito Santo de Deus pela Tua obra eficaz de nos chamar e de nos levar a Cristo, pela tua obra de regenerar os nossos corações e de unir em uma união solene os privilégios particulares do Evangelho. Te damos graças por que a ira já foi propiciada. Te damos graças pela certeza de que nada pode nos separar do Teu amor. Nós Te bendizemos, porque não importando quão profundos e vis sejam os nossos pecados, o sangue de Jesus é poderoso para nos purificar de cada um deles. Na medida em que contemplamos a glória dos Teus atributos, ensina-nos Senhor a crescer no conhecimento de Ti. E te glorificar em tudo o que dizemos e fazemos. Tudo isto pedimos no nome de Jesus, Amém!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

SANTA CEIA DO SENHOR


A SANTA CEIA DO SENHOR
Mt 26.16-30; I Co 11.23-31,

A forma como Paulo explica aos coríntios o significado e a ordem da Santa Ceia do Senhor, é digna de considerar-se cada vez que se celebra este ato e Ordenança Divina.


INTRODUÇÃO
A forma como Paulo explica aos coríntios o significado e a ordem da Santa Ceia do Senhor, é digna de considerar-se cada vez que se celebra este ato e Ordenança Divina. Consideremos o que Paulo ensina.

I. “ EU RECEBÍ DO SENHOR....” – ( v. 23 ).
1. O Apóstolo Paulo havia sido instruído diretamente pelo Senhor no que concerne à Santa Ceia do Senhor.
2. GÁLATAS 1. 1 e 2 diz; “ Mas os faço saber, irmãos, que o Evangelho anunciado por mim, não é segundo homem, pois eu nem o recebi nem o aprendi de homem algum, mas por revelação de Jesus Cristo “.
3. O Senhor Jesus Cristo explicou aos Apóstolos o significado da Santa Ceia do Senhor na noite em que foi traído, porém, a Paulo, o explicou por revelação.

II. “..NA NOITE EM QUE FOI TRAÍDO...” – ( v.23).
1. Nos versículos anteriores o Apóstolos Paulo havia estado repreendendo aos coríntios pelas desordens em uma noite da Ceia do Senhor, (v. 17-22).
2. Que contraste! Cometiam estas desordens em uma noite que se suponha comemorar a traição e juízo do Senhor.

III. “...ESTE É O MEU CORPO QUE POR VÓS É PARTIDO...” – ( v.24).
1. Todo este sofrimento era em cumprimento à Isaías 53. 5 “ Mas Ele foi ferido pelas nossas rebeliões (transgressões), e moído pelos nossos pecados (iniqüidades)...”.
2. JOÃO BATISTA predisse o sofrimento de Cristo, quando exclamou: “ Eis aqui o Cordeiro de Deus, que quita ( tira) o pecado do mundo “ – (Jo 1.29).

IV. “...ESTE CÁLICE É O NOVO TESTAMENTO (ALIANÇA) NO MEU SANGUE...” (V. 25).
1. Quando Deus fez o pacto com o povo de Israel, comprometendo-se a ser como um Pai para eles, Moisés sacrificou um Cordeiro de cujo sangue passou no povo, dizendo: “ Eis aqui o sangue do pacto que Jeová tem feito convosco...” (Ex 24.8).
2. Segundo JEREMIAS 31.31-33, Israel, com sua desobediência, invalidou o pacto; DEUS, então, prometeu fazer um NOVO PACTO.
3. Este NOVO PACTO é SUPERIOR ao Antigo: “ Mas agora alcançou Ele ministério tanto mais excelente, quanto é Mediador de um melhor concerto, que está confirmado em melhores promessas “, Hebreus 8.6.
4. HEBREUS 7.22, diz; “ Portanto, Jesus é feito fiador de um melhor pacto (concerto) - (17-28).
1- Melhor – Porque o Sacerdote não foi Moisés – Mas Cristo.
2- Melhor – Porque não foi Ratificado com Sangue de animais,
cordeiro – Mas PELO SANGUE DE CRISTO.
3- Melhor – Porque não foi para o benefício exclusivo de uma
Nação – Mas para o Mundo Inteiro.
4- Melhor – Porque é ETERNO e não temporal, como o pacto
sinaítico.

V. “... NA MORTE DO SENHOR ANUNCIAIS...” – ( v. 26).
1. A Santa Ceia do Senhor é uma recordação – Memória da humilhação e dos sofrimentos de Cristo.
2. O Crente deve participar da Santa Ceia do Senhor com disposição de identificar-se com a humilhação de Cristo.
3. Quem toma a Ceia do Senhor deve ter a disposição de morrer para si mesmo, para que Cristo viva nele, (Gl 2.20).
4. Quem participa da Santa Ceia do Senhor deve faze-lo com júbilo de alegria .

VI. BENEFÍCIOS DA SANTA CEIA DO SENHOR
1- É uma ordenança divina – Obediência.
2- É feita em memória do Senhor – Lembrança.
3- É uma forma de anunciar a Vida de Jesus – Evangelho.
4- Participamos do sofrimento e humilhação de Cristo.
5- Sentimos, também, Sua liberdade, glória, alegria e Paz.
6- Vivemos e anunciamos a volta do Senhor, até que venha.
7- Celebramos com júbilo, louvando, exaltando e adorando ao
Senhor pela sua presença neste momento.

No texto citado, Paulo lamenta a forma leviana como a igreja de Corinto participava da ceia do Senhor. O que deveria ser comunhão em torno da mesa, tornara-se divisão do corpo de Cristo... "Nisto, porém que vos prescrevo, não vos louvo, porquanto vos ajuntais não para melhor, e sim para pior”, diz o verso dezessete. O que Paulo observa é que o partidarismo daquela comunidade havia chegado até a partilha do pão e cálice e, enxerga nisso, um enorme prejuízo para o significado daquele momento e a saúde do corpo de Cristo.


Baseando-se, então, na revelação do Senhor (verso 23), mostra a importância da celebração eucarística para o mundo, como uma declaração pública de que a morte de Cristo não poderia cair no esquecimento, daí a riqueza da mediação simbólica do pão e do cálice: “Isto é o meu corpo”, “Este cálice é a nova aliança no meu sangue”. Esta celebração existe como testemunho do que Jesus realizou na vida humana!



Mas, também anuncia a vinda de Cristo e a conseqüente efetivação do Reino de Deus em sua plenitude. Diz o verso 26: “Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha”. Participa-se da mesa, como o texto sugere, com uma enorme esperança de que haverá um banquete novo, ministrado pelo Cristo glorioso.



Por conta da importância dada à Ceia é que o apóstolo critica a participação daqueles irmãos em torno dos elementos ministrados, por isso, nesse sentido, não caberia qualquer louvor/elogio (I Co 11:20-22). Exorta sobre a possibilidade de participação na ceia de forma indigna, leviana. Os elementos, pão e vinho, não possuem valor em si mesmos, mas o significado(sentido) que eles carregam podem ser profanados e, agindo assim, profanamos o próprio Cristo e a obra dEle em nossa vida. Ao reduzir essa significação da ceia em nosso imaginário cristão, o que poderia ser bênção, torna-se condenação: “Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor”, trazendo sobre si mesmo juízo e, conseqüentes enfermidades em todo o corpo de Cristo... "Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem”.


Munidos dessas informações, compreende-se o exame requerido pelo apóstolo no verso 28. Essa reflexão é primeiramente racional, mas não se pode prescindir do uso de todos os sentidos. Todos os atos desse maravilhoso momento devem ser feitos para lembrar o que Cristo fez, faz e continuará fazendo em nossa vida. Mas, lembre-se: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão e beba do cálice”. O exame deve ser feito para a participação na mesa.

CONCLUSÃO
Duas coisas são importantes concernentes à Santa Ceia do Senhor, elas são; ENTENDER MUITO BEM O SEU SIGNIFICADO e PARTICIPAR COM A ATITUDE CERTA E DEVIDA. Sabendo que as Duas Ordenanças do Senhor são: O Batismo e a Santa Ceia do Senhor. Não é uma opção! É uma ordenança! Somos batizados? Então, com que atitude tomamos a Santa Ceia do Senhor? Certamente dizendo “ MARANATA ORA VEM SENHOR JESUS!”.

QUE REI SOU EU?



Tema:
Reorganizando o Reinado de Nossas Vidas Texto:

I Reis 22

Josias é considerado um dos reis mais exemplares nas Escrituras. Mas quando ele assumiu o reino, tendo apenas oito anos de idade, tudo estava arruinado. O templo, o culto, o reino inteiro. Pecado, idolatria, opressão. Mas ele buscou a Deus e consertou seu Reino.

Como anda o reino de sua vida? Muitos estão a dizer:
1. A minha vida está desgovernada, desorientada, com áreas fora do lugar. Não consigo mais assumir o controle. O que fazer nesta situação?
2. A minha educação e o meu caráter não tem jeito, porque meus pais só me ensinaram isto. Não consigo superar o exemplo de meus pais.
3. Não consigo vencer as pressões do mundo, ser diferente, ser fiel e puro, não me contaminar com a cultura maligna e pecaminosa.
4. O que eu devo fazer para cumprir a vontade de Deus?

A primeira orientação que tiramos da vida de Josias é que ele assumiu suas responsabilidades. Ele era rei, e tinha que viver como tal. Decidiu por seguir o exemplo de Davi, e não de Manassés.
Precisamos assumir o controle de nossa vida. Quantas vezes não colocamos a culpa de nossos problemas para fora de nós? Não podemos culpar nossos pais nem nossa cultura. Precisamos decidir qual será a nossa referência (os modelos do mundo ou Jesus Cristo). Josias tinha só oito anos, e já tinha decidido servir a Deus!

A segunda orientação que tiramos da vida de Josias é a de que para organizarmos nossas vidas, precisamos redescobrir o valor da Palavra, das Escrituras.
A palavra de Deus estava esquecida, e por isto, tudo estava em desordem e pecado. Não havia discernimento do certo e do errado. Somente quando assumimos o desafio de estudarmos profundamente as Escrituras, é que conseguimos organizar nossas vidas, porque é através dela que conseguiremos discernir a direção correta para cada área de nossa vida.
O que você precisa, para empreender um estudo mais profundo das Escrituras?
Lembre-se de nossa Escola Bíblica Dominical, todo primeiro domingo do Mês.
Faça um plano de leitura bíblica anual. Procure conhecer a Vontade de Deus mais profundamente!

A terceira orientação que tiramos da vida de Josias, é que para organizarmos o reinado de nossa vida, precisamos remover o mal, de forma radical. Josias mandou remover:
Os ídolos. Quais são os seus ídolos? Aqueles valores contrários a Deus?
Os sacerdotes. São aqueles que nos influenciam ao pecado.
Que tipo de influências precisamos remover de nossas vidas, para que tudo volte a ter ordem, em nossa vida?

A quarta orientação que tiramos da vida de Josias, é que para organizarmos o reinado de nossa vida, precisamos restaurar o Templo e a Páscoa (23.21-23).
Restaurar o Templo e a Páscoa significa restaurar o relacionamento com Deus. A páscoa nos relembra o sangue dos cordeiros que os hebreus comeram, antes de sair do Egito. Era necessário manchar as portas e janelas. Ela significa restauração do relacionamento com Deus.
Esta é a quarta observação, mas deve ser nossa primeira atitude, se desejamos restaurar nossas vidas.
Como está o seu relacionamento com Deus? Restaurado? O que podemos fazer para melhorar nosso relacionamento com Deus? Como anda sua vida de oração? Você tem intimidade com Deus?

Conclusão:
Que tipo de Rei é você? Como anda o reinado de sua vida?
Que áreas precisam ser restauradas na sua vida?
Qual o lugar que a Palavra de Deus está tomando na sua Vida? Quais são as referências que você está usando como modelo para a sua vida?
Você é rei de sua vida. Deus nos cobrará contas dela. Mas ele está disposto a nos abençoar, para que nossa vida seja um Reino de acordo com a Sua Vontade. Amém.

A LOUCURA DA PREGAÇÃO


A LOUCURA DA PREGAÇÃO

I Cor 1:21-24 e 2:4

21 Visto como na sabedoria de Deus o mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação os que crêem.

22 Pois, enquanto os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria,

23 nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos,

24 mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.

2:4 A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito de poder;

O apóstolo Paulo contrasta a sabedoria dos homens com a de Deus e, neste contexto, apresenta características da gloriosa tarefa de pregar o Evangelho.

TESE: Há pregação quando um servo de Deus, movido pelo Seu Espírito, anuncia a Cristo como Senhor e único Redentor, levando os ouvintes a tomarem uma de duas possíveis decisões: crer ou escandalizar-se.

Introdução:

Recentemente li um artigo sobre o Ministério da Pregação onde o autor, Paulo R. B. Anglada, professor de Grego e Hermenêutica, sugere algumas razões para o declínio da pregação nos dias atuais. Uma delas, que penso ser a principal, é a própria concepção moderada de pregação.

Hoje a pregação é, muitas vezes, encarada como atividade meramente humana e pouco relevante, cuja eficácia depende fundamentalmente das habilidades naturais ou capacidade do pregador.

No texto bíblico lido encontramos características que bem distinguem a verdadeira pregação bíblica. Aproveitando as próprias palavras do apóstolo, intitulo este sermão "A Loucura da Pregação". Espero com esta reflexão que os alunos de Homilética se convençam de que pregar é a principal tarefa para a qual um pastor é chamado e se consagrem a dedicar o melhor de seus esforços em cumprir bem esta gloriosa incumbência.

Há verdadeira pregação bíblica quando:

1º) O PREGADOR SE CONSTITUI NUM ARAUTO DE DEUS (v. 21)

Aprouve a Deus salvar o homem pela loucura da pregação. A palavra "pregação" usada pelo apóstolo neste texto deriva do termo grego keryx, "arauto". A pregação é o exercício do trabalho do arauto do Rei do Universo!

Em que consiste o trabalho de um arauto? Consiste em tornar conhecida a vontade do seu Senhor, em anunciar Suas Palavras, em proclamar em voz alta Suas Sentenças.

Em 2:4 o apóstolo Paulo testifica que sua proclamação não se constituía de "palavras persuasivas de sabedoria" e nem em "sabedoria de homens". A verdadeira pregação é nada mais do que a proclamação da vontade de Deus aos homens. Assim, o pregador é alguém sempre preocupado em saber o que Deus quer fazê-lo transmitir.

ilustração: Sei de um grande pregador cujo primeiro passo antes de preparar seus sermões é se dirigir ao local onde costuma orar, munido da Bíblia e de um bloco de notas. Ali ele presta culto ao Senhor, ora e ouve o Senhor. Ele testifica que muitas vezes inicia sem nenhuma idéia do que irá pregar, mas que sai já consciente do que o Senhor quer falar ao Seu povo.

aplicação: Se Deus o chamou para desempenhar o ministério da pregação, então entenda que seu trabalho nada mais é do que ser arauto de Deus. Tenha sempre ouvidos para ouvir os recados do Senhor e a boca sempre pronta a proferir Sua Palavra.

transição: Esta é a primeira característica da verdadeira pregação: proferida por um arauto. Mas o texto bíblico ainda nos ajuda a entender uma segunda verdade.

2º) O PREGADOR É CAPACITADO PELO ESPÍRITO DE DEUS (2:4)

Neste texto o apóstolo Paulo resume sua pregação em "demonstração do Espírito e de poder". Isto nos obriga a reconhecer que a eficiência neste ministério só é possível com a capacitação do próprio Espírito Santo. Foi por isso que Jesus recomendou que seus discípulos não saíssem de Jerusalém até que do alto fossem revestidos do poder do Espírito (Lucas 24:49 ficai na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder).

ilustração: Charles Spurgeon foi um dos maiores pregadores de todos os tempos. Ainda hoje somos inspirados por seus sermões e livros. Ele ensinava que a busca do auxílio do Espírito Santo é fundamental à pregação eficiente pelas seguintes razões: é o Espírito quem nos dá sabedoria, que é a arte de usarmos acertadamente o que conhecemos; o Espírito é a "brasa viva tirada do altar" que toca os nossos lábios; é o Espírito o óleo que unge; é o Espírito que faz a pregação traspassar os corações dos homens; é o Espírito que nos leva à oração; é o Espírito que nos leva à santidade; é o Espírito que nos dá discernimento.

aplicação: Como ministro da "loucura da pregação" você precisa deixar-se sempre encher pelo Espírito (cf. Efésios 5:18). Entenda que um pregador que confie tão somente em suas habilidades para exercer seu ministério está fadado ao fracasso. Fundamental para você, arauto de Deus, é a dependência do Seu Espírito.

transição: Já vimos que a verdadeira pregação requer que o pregador se constitua num "arauto de Deus", um porta-voz da Sua Palavra. Também, que este arauto seja conduzido e capacitado, pelo Espírito Santo. Há ainda um terceiro fator a reconhecer na verdadeira pregação:

3º) A PREGAÇÃO SEMPRE SERÁ CRISTOCÊNTRICA (v. 23)

Os judeus querem sinais. Os gregos buscam sabedoria. Nós, porém, pregamos a Cristo crucificado! Essencialmente à pregação é o anúncio da crucificação de Cristo: sua causa e suas conseqüências. É com esta missão que o Senhor nos fez pregadores: anunciar a vitória de Jesus sobre a morte, o cumprimento de um plano traçado desde antes da criação, que resultou no estabelecimento da Igreja, e é o único meio para o homem ter sua alma salva da perdição.

Cristo, sua pessoa e sua obra, é o centro. Nunca o pregador. Todo louvor, toda glória, toda honra, a Cristo. É isto que o apóstolo Paulo faz em seu ministério. Por mais louco que isto possa parecer, toda a razão da existência humana passa pela cruz de Cristo.

A verdadeira pregação será sempre pronunciada por um "embaixador de Cristo" que, dirigido pelo Espírito de Cristo, conclamará seus ouvintes a servirem a Cristo.

ilustração: Sobre o que Pedro pregou no dia de Pentecostes? Sobre a morte e ressurreição de Cristo! (Atos 2:23 e 24). E no templo? Em Atos 3:15, Pedro prega: "matastes o Autor da vida...". E diante do Sinédrio, em Atos 4? Pedro testemunhou do Nazareno, a quem os judeus crucificaram (4:10). E assim por diante, percebemos que todos os sermões proferidos pelos pregadores do NT são centrados na morte e ressurreição de Cristo.

aplicação: Como aspirante ao ministério da pregação, tenha em mente que seu trabalho será o de servir a Cristo. Ele é a razão de tudo. Ainda que judeus queiram sinais e gregos, sabedoria, nossa Missão é anunciar Cristo: Sua Pessoa e Sua Obra. Tenha em mira ser o arauto da vitória, do poder e da glória de Cristo.

transição: Desta forma, já vimos que a "loucura da pregação" constitui-se no trabalho de um arauto, capacitado pelo Espírito Santo e cujo objetivo central é anunciar a Cristo. Vejamos agora um último aspecto, justamente o resultado desta pregação.

4º) A PREGAÇÃO SEMPRE PROVOCA UMA RESPOSTA DO OUVINTE (vs. 23 e 24)

Duas reações devem ser esperadas quando se prega a Cristo crucificado: incredulidade por parte daqueles que se escandalizam (escândalo para os judeus, e loucura para os gregos) e fé (para os que são chamados). A verdadeira pregação não permite indiferença. Para os incrédulos, a mensagem da Cruz é loucura. Para os crédulos, "o poder de Deus e sabedoria de Deus" (v. 24).

Foi isto que o idoso Simeão profetizou, conforme Lucas 2:15, ao dizer a Maria: "Eis que este é posto para queda e para levantamento de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição".

ilustração: Em Atos 17 temos o resumo feito por Lucas do sermão que o apóstolo pregou no Areópago, em Atenas, na Grécia. Paulo se deparou com uma assistência curiosa, porém inóspita. No v. 18, lemos: "ora, alguns filósofos epicureus e estóicos, disputavam com ele. Uns diziam: que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece ser pregador de deuses estranhos; pois anunciava a boa nova de Jesus e a ressurreição." O assunto, ressurreição de Cristo e a ressurreição de todo que nEle crê provocou escárnios em muitos dos ouvintes (v. 32). Entretanto, houve quem cresse: "Todavia, alguns homens aderiram a ele, e creram, entre os quais Dionísio, o areopagita, e uma mulher por nome Damaris, e com eles outros" (v. 34).

aplicação: É este o resultado que você deverá esperar da pregação dirigida pelo Espírito e centrada na Pessoa de Cristo. Muitos se escandalizarão. Porém, graças a Deus, outros crerão e neles se manifestará o poder regenerador de Deus. E eis aí o privilégio do pregador, ser instrumento de Deus para que através da "loucura da pregação" vidas sejam beneficiadas pelo Seu poder.

CONCLUSÃO:
Se Deus o chamou a ser um pregador, sinta-se honrado, privilegiado. Mas dê à pregação seu devido valor. Consagre-se a ser um verdadeiro arauto de Deus. Entenda que a pregação eficiente só é possível se inspirada pelo Espírito Santo de Deus - recorra à Ele constantemente. Cristo precisa ser o centro da sua vida e, por conseguinte, da sua pregação. Entenda que é para isto que Deus o chamou, para anunciar a Pessoa e a Obra de Cristo. Fazendo assim, espere pelos resultados. Perceberá que a "loucura da pregação" continua sendo o poder de Deus para salvar os que crêem.

APELO:
Agora eu quero convidar a vir até a frente todos os alunos que sentem o chamado para o ministério da pregação. Quero orar por vocês, por suas vidas e pelo trabalho que desenvolverão. Se você deseja ser tão somente um arauto, capacitado pelo Espírito, tendo Cristo como a razão da sua vida e pregação, venha aqui à frente e irei orar por sua vida.

BIBLIOGRAFIA:
ANGLADA, Paulo R. B. Vox Dei: A Teologia Reformada da Pregação. Fides Reformata, vol. IV, 1999, p. 145-168.
RIENECKER, Fritz e ROGERS, Cleon. Chave Lingüística do N. T. Grego. Vida Nova.
SPURGEON, Charles H. Lições aos Meus Alunos. Vol. 1 p. 4-22

QUEM É SATANÁS


Quem é Satanás?

"Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e, sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes."
Efésios 6:11,12



Todos os seres humanos se encontram envolvidos em um grande conflito. Após a queda de Lúcifer e após a queda de Adão a harmonia da criação foi rompida. Deus não ignorava que isto haveria de acontecer, pois a Bíblia declara que Deus preparou uma habitação eterna, desde a fundação deste mundo temporário. E será na habitação eterna que estarão para sempre com Deus os vencedores deste presente conflito. Porém Deus, que além de ser bom é também justo e vingador, preparou um lugar de castigo eterno para todos os rebeldes. A presente criação, o mundo e o céu que agora se vêem, são o palco para o conflito que agora, presentemente, ainda está em curso, mas seu fim se dará em breve, com o retorno em glória e majestade do Senhor Absoluto dos céus e da terra, o Senhor Jesus Cristo.

"então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo."
Mateus 25:34


"Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos."
Mateus 25:41


A guerra é real, terrível e inevitável. E nós cristãos lutamos contra o adversário de nossas almas, a fim de nos protegermos de suas investidas e também a fim de alertarmos nossos semelhantes sobre o perigo real de estarem desprotegidos das investidas satânicas. Na verdade lutamos por nós mesmos e também pelo próximo. Tudo o que os cristãos fazem é por amor a Cristo e por amor aos nossos semelhantes. Nossa beligerância NÃO é contra os homens, mas contra o diabo e contra suas mentiras.

Quem é Satanás?



Através de um cuidadoso estudo das Sagradas Escrituras podemos obter todas as informações necessárias a respeito de Satanás. Essas informações nos são necessárias uma vez que a nossa luta, a nossa guerra é justamente contra esse ser abjeto e hostil chamado Satanás.
O nome Satanás quer dizer adversário. De quem é Satanás adversário? Primeiramente de Deus, dos santos anjos e nosso adversário.
Esse ser também chamado de diabo (caluniador, difamador, acusador) é um anjo caído. Originalmente chamava-se Lúcifer ( brilhante) e após a sua rebelião passou a ser chamado de Satanás.
Nas passagens bíblicas em Isaías 14 e Ezequiel 28 vemos que Deus está se dirigindo a alguém que não é humano, e além de repreender esse ser, Deus determina uma inexorável condenação sobre ele. Vejamos:



"Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!"

Isaías 14:12

Nesta passagem vemos que alguém caiu do céu, alguém chamado de Lúcifer. Logo este ser não pode ter sido um ser humano. Os homens foram estabelecidos por Deus entre os rios Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia (atual Iraque), logo o homem jamais subiu ao céu e de lá, evidentemente não poderia ter caído.
Em Ezequiel 28 o relato é ainda mais explícito quanto ao fato de que aquela repreensão divina recaía sobre um anjo:

"Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, até que se achou iniqüidade em ti. Na multiplicação do teu comércio se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei profanado fora do monte de Deus, e te farei perecer, ó querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; lancei-te por terra, diante dos reis te pus, para que te contemplem."

Ezequiel 28:14-17

No Evangelho segundo Mateus o Senhor Jesus Cristo afirma que o fogo eterno foi preparado para o diabo e seus anjos:

"Então o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos."

Mateus 25:41

Existem outras passagens nas Escrituras que nos podem fazer entender que o diabo é um anjo, como por exemplo:

"Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e, sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes."

Efésios 6:11,12

Temos ainda: Apocalipse 9:1-11 e 2 Pedro 2:4.

Existe ainda a passagem bíblica em João 13:27 onde não pode haver dúvidas de que Satanás é um espírito, pois entrou no corpo de Judas Iscariotes:

"E, após o bocado, imediatamente entrou nele Satanás. Então disse Jesus: O que pretendes fazer, faze-o depressa."


Por que Lúcifer caiu?

Para entendermos melhor a respeito da personalidade e caráter de Satanás, é necessário que ouçamos ao Senhor Jesus Cristo quando repreendia alguns judeus que o perseguiam:

"Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe aos desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira."

João 8:44

Segundo estas palavras do Senhor Jesus Cristo, podemos entender que Satanás desde o princípio da criação já apresentava um problema em seu caráter:

"...Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade..."

Mas antes de irmos mais a fundo na questão, vejamos o que está escrito em Ezequiel 28:17:

"Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor;..."

Os discípulos do Senhor Jesus Cristo apresentaram um problema quanto a quem seria o maior no Reino de Deus, e o que foi que o Senhor lhes disse?

"Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus."

Mateus 18:4

Este versículo é uma chave para entendermos o porque Deus expulsou Satanás do céu e porque o condenou. Prossigamos.

Dois princípios em conflito: Humildade x Rebelião



Em nenhum lugar nas Escrituras vemos o Senhor Jesus dizer que o maior no reino dos céus é aquele que tem mais fé, aquele que tem mais dedicação à obra de Deus ou aquele que ora mais, por exemplo. Mas vemos que Jesus associa a humildade ao ser grande diante de Deus. Quando a Bíblia fala a respeito da sublime e majestosa exaltação de Cristo, a Bíblia associa esta exaltação ao fato do Senhor Jesus ter sido espetacularmente humilde diante de Deus:



"Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome,..."

Filipenses 2: 5-9



O Senhor Jesus Cristo é o maior exemplo de submissão à autoridade legítima de governo, domínio e comando do Criador sobre toda a sua criação.
Esta maravilhosa submissão é o ponto chave de harmonia de toda a criação de Deus.
Deus criou seres que não pensam, que não possuem entendimento, como é o caso dos animais, das plantas e dos microorganismos. Contudo, em relação aos anjos e aos homens, a história é muito diferente.
Sendo os anjos e os homens possuidores de capacidade de entendimento, raciocínio, análise e compreensão, os anjos e os homens são possuidores de atributos divinos concedidos por Deus, o que os caracteriza como seres possuidores de vontade própria e poder de decisão.
Em uma combinação de entendimento, pensamentos, sentimentos, capacidade de decisão e atitudes, os anjos e os homens evidenciam o seu caráter, ou seja, a singularidade de suas personalidades. O caráter de Jesus sempre foi um caráter submisso a Deus. Por isso Deus tanto apreciava o comportamento e as atitudes do Filho, pois Jesus é humilde de coração, e não de aparência:


"Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração;..."

Mateus 11:29

"...e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo."

Lucas 3:22



Isto o que Deus disse do Filho, jamais foi dito a ninguém mais.
Toda a vida de Jesus aqui na terra foi uma vida de humildade e de submissão a Deus, por esta razão Deus exaltou Jesus sobremaneira, pois Jesus é o resplendor da glória de toda a harmonia da criação de Deus.
A beleza da humildade, porém, não ocorreu com Lúcifer, pelo contrário, ele se tornou arrogante, orgulhoso e altivo, profanando a harmonia da criação de Deus:


"Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor;"
Ezequiel 28:17


Freqüentemente ouvimos que Lúcifer tentou usurpar o trono de Deus, porém não há respaldo bíblico para tal afirmação. A Bíblia nos diz que Lúcifer procurou ser semelhante a Deus, rompendo os limites da submissão, procurando estabelecer um reino próprio para si, onde ele (Lúcifer) seria o rei:


"Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo."

Isaías 14:13,14



E, segundo o Senhor nos diz, este reino satânico existe, não porém onde Lúcifer originalmente se encontrava, mas no cosmos (mundo):



"Então, lhe trouxeram um endemoninhado, cego e mudo; e ele o curou, passando o mudo a falar e a ver.
E toda a multidão se admirava e dizia: É este, porventura, o Filho de Davi?
Mas os fariseus, ouvindo isto, murmuravam: Este não expele demônios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demônios.
Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá.
Se Satanás expele a Satanás, dividido está contra si mesmo; como, pois, subsistirá o seu reino?
E, se eu expulso demônios por Belzebu, por quem os expulsam vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes.
Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós.
Ou como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo? E, então, lhe saqueará a casa.
Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha.
Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir."
Mateus 12:22-32



Vemos portanto os dois princípios em conflito neste mundo: De um lado o princípio da submissão e obediência a Deus, liderado por Cristo; do outro lado, fazendo oposição ao primeiro princípio, vemos o princípio da rebelião, liderado por Satanás.
A razão da queda de Lúcifer e sua transformação em inimigo e adversário de Deus, foi a tentativa arrogante de romper a harmonia da criação e estabelecer para si um reino independente de Deus. Satanás rejeitou o legítimo governo de Deus e procurou se autogovernar.
Não nos é revelado por Deus a totalidade desta complexa e impressionante atitude de rebelião daquele anjo, mas até onde podemos saber, esta rebelião de fato existiu e trouxe conseqüências horrendas.
Até onde podemos saber, outros anjos foram convidados a se rebelarem contra Deus, e uma parte deles aderiu ao movimento rebelde, outra parte (muito mais numerosa) optou pela fidelidade ao Soberano Criador. Os que permaneceram fiéis, são eternamente benditos e chamados de anjos eleitos (1 Timóteo 5:21), ao passo que os anjos que aderiram à rebelião são eternamente malditos e são chamados de demônios.
Em uma complementação de trechos das Escrituras podemos ver claramente que os demônios são esses anjos caídos que se rebelaram juntamente com Satanás:


"Mas os fariseus, ouvindo isto, murmuravam: Este não expele os demônios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demônios.
Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade, ou casa, dividida contra si mesma, não subsistirá.
Se Satanás expele a Satanás, dividido está contra si mesmo; como, pois, subsistirá o seu reino?
E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam vossos filhos? Por isso eles mesmos serão os vossos juízes. Se, porém, eu expulso os demônios, pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós."

Mateus 12: 24-28


Podemos observar que Jesus afirma que Satanás tem um reino e que os demônios fazem parte do reino de Satanás. Jesus afirma que expulsando os demônios, pelo Espírito de Deus Jesus faz prevalecer o Reino de Deus em guerra contra o reino de Satanás e dos demônios.
Os demônios estão a serviço de Satanás, mas Jesus declara Sua vitória sobre o reino satânico, identifica os demônios como sendo anjos de Satanás e lança-os no fogo eterno:



"...Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos."

Mateus 25:41


Isto acontecerá quando Cristo retornar.
Lúcifer caiu pela rebelião que iniciou contra Deus, originada em seu coração arrogante e insubmisso.


A personalidade de Satanás



Antes de comentar a respeito da personalidade de Satanás, desejo fazer uma observação que considero muito importante.
Não devemos, em momento algum, deixar de ter em mente que quando se fala a respeito do diabo, devemos ter nossas mentes completamente conscientes de que estamos lidando com um ser que é nosso implacável adversário! Esse ser, Satanás, não poupará esforços para nos tentar prejudicar e destruir. Logo, o mais sábio é olharmos firmemente para o Senhor Jesus Cristo com nossos corações voltados para a submissão e devoção a Ele. Agindo assim, estaremos fortalecidos no Senhor e poderemos, com as armas da Luz, fazer frente e vencer o inimigo de Deus.
Como pôde um anjo que foi criado perfeito vir a ser o líder de uma rebelião contra Deus?
Até onde já comentamos, Satanás se tornou obcecado por um desejo de auto-exaltação, o que, por sua vez, foi a causa de sua ruína. A Bíblia nos adverte a respeito deste perigo:



"A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda."

Provérbios 16:18


Embriagado pela soberba e pelo orgulho, Satanás corrompeu sua própria sabedoria tornando-se assim completamente deformado em relação ao seu estado original.



"..., corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor,..."

Ezequiel 28:17



Em outras palavras, Lúcifer literalmente enlouqueceu. E é o próprio Deus quem chama de loucos aos que lhe são rebeldes:



"O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino."

Provérbios 1:7



A atitude de arrogância, altivez e atrevimento de Satanás diante de Deus, foi um literal enlouquecimento do diabo. Seu estado tornou-se irremediavelmente doentio e sem cura.
Satanás passou a odiar a Deus, de todo o seu coração, não lhe restando lugar ou qualquer possibilidade para arrependimento. Foi uma atitude deliberada, premeditada, dolosa e criminosa e que trouxe sobre ele a condenação eterna.
O ódio passou a ser a força motriz para Satanás. Todos os seus atos são motivados pelo ódio que sente por Deus e por uma espécie de desejo de vingança que ele nutre contra o Senhor Todo-Poderoso. Satanás e seus anjos (os demônios) tornaram-se seres completamente loucos, implacavelmente agressivos, violentos e ferozes.
Quando o Senhor Jesus Cristo estava no deserto sendo tentado pelo diabo, Ele estava cercado por demônios cheios de ódio contra Ele. Mas Deus e os anjos eleitos estavam lá..



"E logo o Espírito o impeliu para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam."
Marcos 1:12,13


Quando surgir a besta de que fala a Bíblia em Daniel e no Apocalipse, este ser será um exemplo de ódio, rancor e cólera contra Deus e contra os seus servos. Ao examinarmos as Escrituras quando falam a respeito da besta (anti-Cristo), podemos ver, na figura da besta, através de seu comportamento, como é a personalidade de Satanás.
Ao surgir, sua primeira atitude será abrir a sua boca em blasfêmias e difamações contra Deus e contra os cristãos:



"Foi lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias, e autoridade para agir quarenta e dois meses; e abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu. Foi lhe dado também que pelejasse contra os santos e os vencesse..."
Apocalipse 13: 5-7



A besta será um líder mundial que governará debaixo do domínio satânico e exteriorizará o ódio que Satanás sente contra Deus.



"... e adoraram o dragão porque deu a sua autoridade à besta;..."

Apocalipse 13:4



Esta á a personalidade de Satanás: Arrogante, atrevido, blasfemador, mentiroso, injusto, cruel, sedutor e movido por ódio. Embora inteligente e possuidor de vastos conhecimentos, é um ser completamente louco e muito perigoso. Irremediavelmente perdido, porém implacável (que não se deixa dominar), persistente e sádico. Irônico, debochado, homicida e letalmente perigoso. Não possui nenhuma ralação com o Senhor, pois Deus expulsou Lúcifer de Sua presença e comunhão para sempre. Satanás não tem acesso a arrependimento. Só lhe resta o ódio e a atividade da destruição, o que continuará a exercer até que venha o Senhor.
Mas louvado seja Deus, pois está escrito:



"Para isto se manifestou o Filho de Deus, para destruir as obras do diabo."

1João 3:8

Maranata!



Onde estão os demônios e Satanás agora?



Após a expulsão de Satanás e dos demônios, do céu, uma parte deles se encontra agora aprisionada em um lugar que a Bíblia chama de Tártaro:



"...; e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande dia;"

Judas 6

"Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo;
e não poupou o mundo antigo, mas preservou a Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas, quando fez vir o dilúvio sobre o mundo de ímpios;
e, reduzindo a cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra, ordenou-as à ruína completa, tendo-as posto como exemplo a quantos venham a viver impiamente;"

2 Pedro 2:4-6



Aqui neste versículo a palavra traduzida para abismos vem do grego: Tártaro, que significa: o mundo inferior; o equivalente à palavra grega Hades, também traduzida para inferno.
A idéia de que Satanás tem um trono dentro do inferno não tem nenhuma sustentação bíblica. Antes, o diabo e os demônios têm pavor desse lugar de tormento que foi preparado para eles. Vejamos o que disseram os demônios quando o Senhor Jesus os expulsava:



"Então, rumaram para a terra dos gerasenos, fronteira da Galiléia.
Logo ao desembarcar, veio da cidade ao seu encontro um homem possesso de demônios que, havia muito, não se vestia, nem habitava em casa alguma, porém vivia nos sepulcros.
E, quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, exclamando e dizendo em alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes.
Porque Jesus ordenara ao espírito imundo que saísse do homem, pois muitas vezes se apoderara dele. E, embora procurassem conservá-lo preso com cadeias e grilhões, tudo despedaçava e era impelido pelo demônio para o deserto.
Perguntou-lhe Jesus: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião, porque tinham entrado nele muitos demônios.
Rogavam-lhe que não os mandasse sair para o abismo.
Ora, andava ali, pastando no monte, uma grande manada de porcos; rogaram-lhe que lhes permitisse entrar naqueles porcos. E Jesus o permitiu.
Tendo os demônios saído do homem, entraram nos porcos, e a manada precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do lago, e se afogou."
Lucas 8:26-33



Portanto, abismo, hades, tártaro ou inferno é o lugar onde muitos demônios se encontram aprisionados para o dia do juízo quando então serão eternamente lançados em um lugar definitivo que a Bíblia chama de Geena, que é o lago do fogo.
Outra parte dos demônios e o próprio Satanás encontram-se temporariamente soltos, até o dia do juízo. E enquanto estiverem soltos se esforçarão para destruir o maior número de seres humanos possível, em uma espécie de tentativa de vingança contra Deus e contra a humanidade que Deus criou.
Mas o fim do diabo e dos demônios já está por Deus determinado:



"E o Deus da paz em breve esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás. A graça de nosso Senhor Jesus seja convosco."

Romanos 16:20



A Guerra



Até que se finde a nossa guerra contra as trevas, o que se dará quando Cristo retornar, é imperioso que sigamos cuidadosamente todas as instruções do Senhor com respeito à guerra espiritual. Satanás, mais do que nunca, hoje se encontra em grande cólera e inquietação, pois sabe que dentro em breve será lançado no lago do fogo para a eternidade. Por isso estará atacando com toda a ferocidade, violência e agressividade. Estará agindo pessoalmente, utilizando-se de seus anjos, os demônios, e também estará se utilizando de seres humanos. Seu objetivo é DESTRUIR!
Observemos como foi o combate entre o Senhor Jesus e Satanás no deserto. Como foi que o Senhor o venceu? Pela PALAVRA DE DEUS! Observemos que o Senhor Jesus Cristo contra atacou todas as investidas de Satanás dizendo: ESTÁ ESCRITO!, citando sempre as Escrituras contra tudo o que o diabo dizia.
Vejamos:



"A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito, ao deserto, para ser tentado pelo diabo.
E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.
Então o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães.
Jesus, porém, respondeu: ESTÁ ESCRITO:
Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.
Então o diabo o levou à cidade santa, colocou-o sobre o pináculo do templo. E lhe disse: Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito:
Aos seus anjos ordenará a teu respeito; que te aguardem; e:
Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra.
Respondeu-lhe Jesus: Também ESTÁ ESCRITO:
Não tentarás o Senhor teu Deus.
Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles, e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.
Então Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque ESTÁ ESCRITO:
Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto.
Com isto o deixou o diabo, e eis que vieram anjos, e o serviam."

Mateus 4:1-11


Satanás tentou enganar o Senhor Jesus Cristo utilizando-se de uma estratégia semelhante a que usou contra Eva no paraíso, isto é, citou as Escrituras levianamente, pois ao final desejava que o Senhor Jesus lhe obedecesse quando tentou ao Senhor com as frases:
-Manda que estas pedras se transformem em pães
-Atira-te abaixo
-Prostre-se diante de mim e me adore ( Aliás, neste ponto, o Senhor já não mais tolerou tamanho atrevimento e imediatamente ordenou a Satanás: Retira-te!)
Jesus citou legitimamente as Escrituras, obedecendo-as, assim venceu o diabo.
Esta tática de guerra é invencível, pois ninguém pode contra a Palavra de Deus.
Outro aspecto importantíssimo na nossa guerra contra Satanás, é a necessidade de estarmos com nossos corações firmados em Cristo e cheios de esperança naquilo que por Deus nos está prometido: A vida eterna. Desta forma tornamo-nos desapegados das coisas materiais e da glória passageira e efêmera deste mundo:



"Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram, e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida."
Apocalipse 12:11